terça-feira, 16 de julho de 2019

Alex: o menino dos Ossos de Vidro que joga futebol


O futebol e a família o libertou para o mundo e lhe ocasionou saúde. Conheceu novos amigos, trouxe alegria, fortaleceu seus ossos e o tirou da ociosidade, fazendo do pequeno menino acanhado, uma pessoa que transborda otimismo e felicidade.

Por: José Brilhante
Foto: José Brilhante



Era 31 de agosto de 2005. Helen, já com três filhos, em nada imaginava que sua vida mudaria após o nascimento de Alex. Tudo foi uma surpresa. Logo que nasceu foi diagnosticado com a doença popularmente conhecida como OSSOS DE VIDRO. A condição, cientificamente chama-se Osteogênese imperfeita, que é caracterizada pela fragilidade dos ossos. Para carregar Alex, era necessário uma espécie de cuidado diferenciado, porque qualquer movimento mais brusco ou apenas um vento, poderia vim a estalar e quebrar o pequeno corpo.
Após esse obstáculo ser descoberto, mais uma adversidade surgiu na vida do menino. Uma forte pneumonia o abateu, durante a estadia nos hospitais. Devido a isso, ficou quase 2 anos, ininterruptos, indo e voltando, no Padre Colombo e no Jofre Cohen. Ficavam no máximo uma semana inteira em casa, e depois voltavam para os hospitais.  
Era uma luta árdua que sua mãe Helen travava para manter o filho vivo. Após as idas e vindas aos hospitais de Parintins, a cura da pneumonia para o menino, que viria a ser uma surpresa para todo mundo, por causa das façanhas que realiza, apesar de depender de uma cadeira de rodas para se locomover, se concretizou através de remédios caseiros.

FRATURAS E CIRURGIA GRAVE

Ao longo da vida, com 14 anos, por causa da fragilidade óssea, Alex tem mais de 200 complicações nos ossos, envolvendo fraturas e apenas luxações, que começaram a sessar quando iniciou a tomar uma medicação especifica. Mas, antes alguns ossos quebrados, estiveram passivos à operação. Em uma dessas ocasiões, quando foi operar a perna esquerda, com apenas 11 anos, a intervenção cirúrgica trouxe complicações.
Quando se pensava que estava tudo bem, uma falta de ar o acometeu: “Quase eu morri porque me deu uma grande falta de ar. Os enfermeiros chegaram e me socorreram, colocando um tubo de oxigênio em mim parar eu voltar a respirar. Foi um alivio. Pensava que eu ia morrer” fala Alex, relembrado tudo o que passou.
Apesar dos problemas nos ossos ter amenizado, o remédio, responsável pela recuperação, não pode ser interrompido. A uma ajuda muito grande por parte de seus amigos e da Escolinha Show de Bola, para conseguir dinheiro e continuar tomando o medicamento. 

A LUTA PARA ESTUDAR

Alex estudou na Pestalozzi até os 7 anos de idade. Porém não tendo mais imperativos que o impedissem de desbravar os ensinos regulares, partiu para ter o direito que todos possuem, garantido pela constituição brasileira.  Mas, acabou com as portas fechadas das escolas quando foi em busca de matriculas, com a alegação de que não tinham estrutura para aceita-lo, tendo em vista que seu único problema são nos ossos e nas pernas, não tendo qualquer deficiência mental ou inatividade motora que o impedisse de frequentar as aulas. 
Muitos obstáculos aparecerem para ter as recusas: não possuíam monitores, profissionais formados na área e etc. “Eu tive que correr muito atrás, ir na SEMED, ameaçar para poder conseguir uma vaga na Escola Municipal Lima Maia” discorre Helena com um ar de tristeza.
Até o próprio Alex disse que iria em todos os meios de comunicação falar sobre seu caso, se nada fosse resolvido. Tudo que ele queria era estudar e ter o direito de adquirir conhecimento, e conseguiu.  

PRECONCEITOS

No começo, na escola, ouve um estranhamento dos colegas. E alguns acabaram chamando-o de aleijado. “Não gosto que me chamem assim, porque eu não pedi para ter nascido com minha deficiência”, confessa Alex, quando teve o primeiro contato com a escola regular.  
Sua mãe, sempre chorava com ele, quando chegava em casa e contava o que se passava na escola ou em qualquer outro lugar. “Eu digo sempre: ‘meu filho, não dá importância, porque as pessoas que zombam de ti, tem mais deficiência do que você’. E de vez enquanto, ainda encontramos alguns ‘burrinhos’ que ainda não sabem lidar com a condição dele”. 

“O FUTEBOL ME LIBERTOU”

Alex é torcedor do Flamengo do Rio de Janeiro. “Em cada jogo do Flamengo é capaz de eu entrar na televisão, sou um torcedor raiz”. Por isso, instintivamente a vontade de jogar floresceu no pequeno. Apesar de sua deficiência nos ossos não permitir a prática do esporte, pôr o futebol ser de auto contato e risco, o garoto insistiu na ideia. E nessa empreitada, um incentivador esportivo apareceu na vida do garoto. Beto Pupunha, o convidou para começar a treinar em sua escolinha de futebol.
O primeiro dia, todo paramentado no uniforme e chuteira, apareceu no campo meio amedrontado. Quando chegou todos olharam, porque ele, joga bola diferente dos outros. “Perguntaram de mim porque eu não levantava, e aí eu expliquei tudo, e eles entenderam. Assim, ganhei muitos amigos”.
Como tem dificuldades de ficar em pé, a única alternativa é ficar sentado pra tentar driblar e chutar a bola. Por incrível que parece se locomove arrastando-se e com rapidez, mesmo sentado.
A mãe está sempre à beira do campo, assustada com a coragem do filho no momento da disputa de bola. Alex não foge muito as características de um jogador.  Até catímba, reclamações e marcação são pedidos por ele, durante o jogo.
Tudo foi um processo, principalmente os ensinamentos que a Escolinha Show de Bola repassou para os colegas de campo, como a equidade. “O Beto mandava todos os alunos fazer o mesmo movimento que meu filho fazia. Ficavam sentados e tentavam jogar na mesma posição. Tudo isso para os outros sentirem as dificuldades que o Alex passa no dia a dia e por consequência respeita-lo”, conta dona Helena com um ar de agradecimento pelo carinho que seus colegas e amigos tem por ele.
O futebol o libertou, fez com que seus ossos se desenvolvesse, além de tornar possível a fisioterapia, que antes do contato com o futebol o médico não permitia por cauda da fragilidade dos ossos. Até os preconceitos de muitas mães foram quebrados. Quando Alex começou a jogar futebol, demostrando que era possível e normal, os pensamentos maldosos em ralação ao pequeno se transformaram.
Até o próprio horizonte de Alex se expandiu, muito por causa dos sonhos que tem para a vida: “Eu quero ser Jogador de futebol, médico e policial”, exclama o pequeno grande homem, que luta todos os dias para conquistar seu espaço no mundo.     
  

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