POR: JOSÉ BRILHANTE
Foto: José Brilhante
Há...! Aquela velha infância, quando tudo começava com uma bolinha de
gude, no meio do dia ou no fim da tarde, talvez o dia todo, quando nos tempos
passados a pequena tela não os tragavam.
As crianças iam chegando no terreno baldio com uma alegria e adrenalina
inexplicável.
O local só precisava ser plano e com um bom pedaço de terra, que a velha
infância teimava em descobrir.
Logo era desenhado no chão o “T” e a “LAVOURA”. Esta última, os participantes,
após uma calorosa discussão, disputavam para saber a que distância ficaria para
jogar as bolinhas. Eram emparelhadas, com cada jogador sendo obrigado a deixar
uma no cobiçado T.
Logo, decidiam quem jogava primeiro ou por último, era inebriante, porque
o sucesso dos ganhos das bolinhas dependia disso e, também da boa pontaria com
os dedos, que garantia o tilintar das esferas uma na outra, quando se chocavam.
O detentor do primeiro tecar, decidia-se ao lançar da bolinha,
quando mais perto da linha ficava, a ordem do primeiro concretizava-se.
Empolgante se via, todas as “PONTEIRAS” prontas para serem atingidas e
por conseguinte ganhar uma em troca. Às vezes, acertar tornava-se tão difícil
quanto parecia, poderia estar perto ou longe. Porém, antes o ritual
inconsciente do “CASTELO” era feito, no mirar dos dedos, para o estalar de
bolinha com bolinha. Isso trazia um ar mágico!
Os palavrões eram ouvidos de quanto em quanto. Devia ser uma forma de
desalento por conta do erro ou uma forma de melhorar a pontaria.
“Ratão” sempre foi a expressão usada pra quem tentava trapacear. Quando
isso acontecia, uma gritaria misturado com risos, corria para “ABECAR” e
recomeçar o jogo da lavoura.
Assim com todas as emoções e perdas, a brincadeira, no passado, não tão
distante, era, até o fim apreciada avidamente, com alguns indo aos “PITI” e
outros com os bolsos e mãos cheias do prêmio máximo, a bolinha de Gude.

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