Por: José Brilhante, Aldair
Rodrigues e Katriane Bernardes
Foto: Poetry
Art
O problema da falta de exigência do diploma
na profissão jornalística é uma luta da classe desde que surgiu o curso
superior de Comunicação Social nas faculdades. Com a decisão de 2009, do
Supremo Tribunal Federal (STF), derrubando o decreto-lei 972/69 que obrigava a
exigência do diploma com experiência comprovada e carteira profissional, qualquer
indivíduo pode praticar a profissão ou qualquer pessoa pode ser jornalista.
Com a popularização da TV e agora a internet,
que além de revolucionar a comunicação mudou também a profissão do jornalista
com o chamado novo fazer jornalístico, surgiu muitas opções de se exercer a
profissão sem a exigência do diploma.
Será que tirar uma foto, escrever um texto e publicar
em jornais ou revistas é considerado um fazer jornalístico? A resposta vem com
um NÃO por diversas razões. O verdadeiro fato jornalístico é aquele apurado, buscando
o porquê, quais as pessoas envolvidas e aplicando técnicas de construção de
textos jornalísticos.
Em meio à profissão, temos o jornalista
multimídia, aquele que exerce de “um tudo” na área. Foi impulsionado pela
velocidade da internet quando os veículos de comunicação passaram a transitar
na rede. Com essa velocidade a qualidade dos fatos apurados tende a cair,
sobrecarregando o profissional. Erros de concordâncias, grafia e até títulos
vergonhosos, como um jornal de Manaus que publicou a notícia da vitória da
seleção brasileira de futebol feminina. Com muito sarcasmo e imbecilidade, o
jornal publicou o título “AS MENINAS DERAM DE QUATRO”. Seria esse o “novo fazer
jornalístico” chamado de moderno e descolado?
Inúmeros exemplos em diversas emissoras
praticam esse novo fazer jornalístico sem os devidos padrões profissionais para
fazer um bom material. Mas há exceções de profissionais com uma boa experiência
que produzem bons produtos jornalísticos. Infelizmente essa realidade impede o
exercício da profissão dos comunicadores que realmente merecem a credibilidade
de estar à frente de um programa jornalístico e que só perdem a vaga para um
não diplomado porque o decreto-lei 972/69 foi derrubado pelo STF.
O então presidente do STF, Gilmar Mendes em
seu discurso na aprovação da não exigência do diploma para o jornalista, afirma
que existem profissões que podem trazer prejuízos a sociedade se não houver
formação específica, isso não acontece na avaliação dele com o jornalismo. Será
que fazer uma denúncia, produzir notícia e reportagem direcionadas a população não
irá mudar a vida de alguém ou trazer prejuízo? Um jornalista pode levar a vida
de alguém do céu ao inferno, como em um exemplo clássico da rixa entre Getúlio
Vargas e Carlos Lacerda, jornalista e político que foi pivô do atentado que
provocou o suicídio do então presidente.
Assim como um técnico de enfermagem não está
apto para fazer o papel de um cirurgião, uma pessoa que não possui o diploma de
jornalismo não pode exercer essa função. Já imaginou um engenheiro fazendo o
trabalho de um juiz, se no caso não fosse obrigatória a exigência do diploma da
profissão? Tudo ficaria bagunçado, todos poderiam fazer qualquer tipo de
trabalho sem qualificação. No caso muitas pessoas em meio ao jornalismo fazem
isso, uma bagunça na classe.
A liberdade de expressão que está ligada ao
novo fazer jornalístico, não somente pode ser feito por um jornalista, como
muitos dizem, se no caso for obrigatório à exigência do diploma, porém o que
está em jogo é a credibilidade de uma profissão que trabalha com fatos investigados
a fundo, pois nem todos terão a capacidade de ir atrás da verdade. Afinal registrar
um acontecimento todos podem, mas investigar o porquê e para quê de tal
acontecimento, só um jornalista formado saberá fazer.
Essa questão esbarra com a forte presença do
capitalismo que impulsiona a concorrência entre as empresas jornalísticas. O
lucro é a principal finalidade, portanto a profissão do comunicador fica
dependente das inovações que fogem da essência do verdadeiro jornalismo. Por um
lado, às inovações tecnológicas são fundamentais na carreira destes
profissionais, em contrapartida contribuem para a possível desvalorização da
classe, principalmente dos que já atuam há bastante tempo na área.
Valores e interesses deverão mudar para que o
profissional jornalista fosse mais valorizado e que pessoas não qualificadas atuassem
no meio para não haver uma generalização dos trabalhos ruins que surgem. E felizmente,
mesmo com toda transformação tecnológica e humana no meio jornalístico, a
essência do jornalismo verdadeiro resiste. Mas o fato é, o comunicador só irá ser
valorizado com a obrigatoriedade do diploma.

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