segunda-feira, 7 de maio de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: A NÃO EXIGÊNCIA DO DIPLOMA PARA EXERCER O JORNALISMO



Por: José Brilhante, Aldair Rodrigues e Katriane Bernardes


                                                        Foto: Poetry Art



O problema da falta de exigência do diploma na profissão jornalística é uma luta da classe desde que surgiu o curso superior de Comunicação Social nas faculdades. Com a decisão de 2009, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubando o decreto-lei 972/69 que obrigava a exigência do diploma com experiência comprovada e carteira profissional, qualquer indivíduo pode praticar a profissão ou qualquer pessoa pode ser jornalista.
Com a popularização da TV e agora a internet, que além de revolucionar a comunicação mudou também a profissão do jornalista com o chamado novo fazer jornalístico, surgiu muitas opções de se exercer a profissão sem a exigência do diploma.
Será que tirar uma foto, escrever um texto e publicar em jornais ou revistas é considerado um fazer jornalístico? A resposta vem com um NÃO por diversas razões. O verdadeiro fato jornalístico é aquele apurado, buscando o porquê, quais as pessoas envolvidas e aplicando técnicas de construção de textos jornalísticos.
Em meio à profissão, temos o jornalista multimídia, aquele que exerce de “um tudo” na área. Foi impulsionado pela velocidade da internet quando os veículos de comunicação passaram a transitar na rede. Com essa velocidade a qualidade dos fatos apurados tende a cair, sobrecarregando o profissional. Erros de concordâncias, grafia e até títulos vergonhosos, como um jornal de Manaus que publicou a notícia da vitória da seleção brasileira de futebol feminina. Com muito sarcasmo e imbecilidade, o jornal publicou o título “AS MENINAS DERAM DE QUATRO”. Seria esse o “novo fazer jornalístico” chamado de moderno e descolado? 
Inúmeros exemplos em diversas emissoras praticam esse novo fazer jornalístico sem os devidos padrões profissionais para fazer um bom material. Mas há exceções de profissionais com uma boa experiência que produzem bons produtos jornalísticos. Infelizmente essa realidade impede o exercício da profissão dos comunicadores que realmente merecem a credibilidade de estar à frente de um programa jornalístico e que só perdem a vaga para um não diplomado porque o decreto-lei 972/69 foi derrubado pelo STF.
O então presidente do STF, Gilmar Mendes em seu discurso na aprovação da não exigência do diploma para o jornalista, afirma que existem profissões que podem trazer prejuízos a sociedade se não houver formação específica, isso não acontece na avaliação dele com o jornalismo. Será que fazer uma denúncia, produzir notícia e reportagem direcionadas a população não irá mudar a vida de alguém ou trazer prejuízo? Um jornalista pode levar a vida de alguém do céu ao inferno, como em um exemplo clássico da rixa entre Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, jornalista e político que foi pivô do atentado que provocou o suicídio do então presidente.
Assim como um técnico de enfermagem não está apto para fazer o papel de um cirurgião, uma pessoa que não possui o diploma de jornalismo não pode exercer essa função. Já imaginou um engenheiro fazendo o trabalho de um juiz, se no caso não fosse obrigatória a exigência do diploma da profissão? Tudo ficaria bagunçado, todos poderiam fazer qualquer tipo de trabalho sem qualificação. No caso muitas pessoas em meio ao jornalismo fazem isso, uma bagunça na classe. 
A liberdade de expressão que está ligada ao novo fazer jornalístico, não somente pode ser feito por um jornalista, como muitos dizem, se no caso for obrigatório à exigência do diploma, porém o que está em jogo é a credibilidade de uma profissão que trabalha com fatos investigados a fundo, pois nem todos terão a capacidade de ir atrás da verdade. Afinal registrar um acontecimento todos podem, mas investigar o porquê e para quê de tal acontecimento, só um jornalista formado saberá fazer.  
Essa questão esbarra com a forte presença do capitalismo que impulsiona a concorrência entre as empresas jornalísticas. O lucro é a principal finalidade, portanto a profissão do comunicador fica dependente das inovações que fogem da essência do verdadeiro jornalismo. Por um lado, às inovações tecnológicas são fundamentais na carreira destes profissionais, em contrapartida contribuem para a possível desvalorização da classe, principalmente dos que já atuam há bastante tempo na área.
Valores e interesses deverão mudar para que o profissional jornalista fosse mais valorizado e que pessoas não qualificadas atuassem no meio para não haver uma generalização dos trabalhos ruins que surgem. E felizmente, mesmo com toda transformação tecnológica e humana no meio jornalístico, a essência do jornalismo verdadeiro resiste. Mas o fato é, o comunicador só irá ser valorizado com a obrigatoriedade do diploma.




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